quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Feliz aniversário ao meu bundão predileto

Um dia especial
 (Uma homenagem ao 05 de novembro, torres não explodiram, mas explodiu-se um coração)

     Hoje é um dia especial, justamente pelo fato de ser um dia como qualquer outro, e não ter nada, absolutamente nada que o torne especial. Mas é um dia especial, porque tem de ser assim. Assim dizem os Lamas, os filósofos, profetas e curandeiros. Hoje é um dia especial. E só. Mas não há nada que o faça especial, a não ser a vida, que é especial e sempre será. Mas, então, hoje é um dia de que tipo afinal?

    Escrever é a única coisa que faço na vida que me gera prazer real. Os outros prazeres são carnais. São materiais. Mesmo que emocionais, ainda assim são materiais, pois são gerados na materialidade das emoções e não na sua essência.  Portanto, escrever é o único prazer em si, pois que escrevendo, estou livre e sem o dever de bater continência a quem quer que seja.

    Nem no ato sexual carnal, por mais amor e intensidade que tenha, obtenho tanto prazer como quando percorro a página em branco, digitando palavras, uma após a outra, numa atitude que beira a magia, a poética e fascinante magia das verdades puras, não conceituais, mas puras. Puras no sentido de como são concebidas dentro da pessoa e não dentro do contexto social no qual esta pessoa está inserida.

    Sonho com um mundo onde se tenha realmente liberdade. Mas isso não é uma coisa possível aqui, agora. É algo de outro plano, outro mundo. Ainda vibramos na frequência absoluta do “tenho que” e esse termo, diz respeito a uma obrigação e não a um real sentido de vida. Trata-se de uma obrigação. Quando muito, uma necessidade fisiológica disfarçada de espiritualidade.

    Onde está o sagrado? Mestres iluminados tem se empenhado por séculos em fazer-nos ver que o sagrado está em cada um, e cada vez mais erguemos templos e mais templos para reinterpretar essa máxima. Para mim, todo o processo é válido, mas mais cansativo do que realmente precisaria ser. Neste exato momento, enquanto lês estas linhas, o teu sagrado convida o meu sagrado para dançar. E só.

    Não há busca a ser feita. Não há regime que possa ser mais útil e vital do que a passagem pela infância. Somos todos a mesma coisa. Nos vemos por ângulos diferentes, caso contrário a passagem pela matéria ficaria muito sem graça. Este é um mundo de contradições. Piadas, ditas em discursos proféticos. Variações das neuroses mundanas, rotuladas de pós-graduação. Sou um engenheiro de coisa nenhuma.

    O Universo desprende-se em várias experiências o tempo todo. Jesus foi uma grande experiência, Buda, o Gautama, também. Ainstein, Freud, Alan Kardec, Hitler, Jacob, João e Maria. Chico Xavier, Gandhi, Casimiro de Abreu e Quintana. O cara que transou com sua mulher e a mulher que deu para o seu homem. Lula, tanto quanto Dilma. Osama, tanto quanto Barack. Raul, o raulzito, cantando a todos em seu Ouro de tolo, também.

    É muito engraçado quando, passados tantos anos, séculos até, isso em relação ao princípio do cristianismo, ainda nos dirigimos à divindade da vida pelo termo Pai. Como se o Universo fosse realmente pai de alguém. Cadê a mãe? Penso que quando o amado Cristo manifestou-se na forma de Jesus, disse-nos que havia um pai pelo simples fato de saber que estava materializando numa sociedade extremamente machista, patriarcal, portanto, se Ele usasse outra palavra que não fosse essa, teria menos êxito ainda. Se falando de Pai, foi crucificado, imagino o que teriam feito com Ele se usasse a palavra Mãe. Ora, porque até hoje não conseguimos nos desprender deste conceito? Simples. Somos acomodados.

   Não sou um cara ateu, mas me considero um bicho à toa, que faz coisas porque precisa fazer, mas não que queira. Sou extremamente imbecil e se dependesse de mim o mundo já teria sucumbido. Não entendo de cálculos, não sou forte em física, química ou qualquer outra coisa taxada de ciência exata. Não entendo a exatidão das coisas e aprecio a poética das possibilidades múltiplas. Mas, estaria morto se não fossem as grandes e brilhantes mentes que sustentam o mundo científico.

   Todas as religiões criadas pelo homem para satisfazer o homem estão em colapso. Não admitem e nunca o farão, mas estão. Na verdade já foram criadas dentro de um colapso total de ideias.

   Dançar, pular, cantar, agitar a alegria que corre nas veias é a melhor de todas as crenças. Somos infelizes porque vemos na seriedade uma falsa razão de viver. A seriedade transmite segurança, então nos agarramos a ela com todas as forças.  Repensem seus valores todos os homens ditos sérios deste mundo, todos os carrancudos e sisudos, que fazem transparecer firmeza por baixo de seus paletós. Vivam os palhaços. Viva o homem do gato, aos domingos, fazendo-nos de bobos de nós mesmos na mais pura demonstração de religiosidade matriarcal. Espiritual. Simples e verdadeira.

   Esta foi uma singela homenagem que fiz ao dia de meu quadragésimo oitavo aniversário. Um texto sem objetivo algum. Uma simples escorregada sobre o teclado deste computador. E só.

   Vou comer um bolo?