segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Energia pura

Quando falamos em espiritualidade raramente conseguimos tratar do assunto com imparcialidade religiosa ou padrão de crença. No caso do filme "Energia pura", o personagem central surpreende-nos pela maneira como se expressa, sempre tocando nossa alma com sensibilidade e zêlo. O filme retrata o momento da vida de um jovem albino criado pelos avós numa cidade do interior, totalmente isolado do mundo, tendo que partir para o contato com o exterior, após anos de vida em cativeiro sendo considerado uma anomalia. Auto-didata e dotado de uma sabedoria peculiar, o personagem central se vê diante de um trágico dilema ao ter que encarar o mundo prático pela primeira vez. Quatro outros personagens se envolvem neste contexto diretamente, uma assistente social, um delegado, um professor e uma aluna da escola para onde o levam, de forma a dar ao enredo um toque sutil sobre o relacionamento humano em suas variadas possibilidades.

Um encontro com a simplicidade

Há uma cena em particular que deve chamar a atenção de todo bom expectador, que é o diálogo entre o personagem central e a aluna da escola com quem ele se relaciona de forma mais tranquila, no momento em que conversam no banco de um parque numa festa comunitária. Nesta cena, de maneira muito simples o rapaz fala sobre a experiência humana neste plano, dando-nos a idéia clara e objetiva sobre a razão de estarmos aqui e qual seria o nosso maior compromisso como irmãos enquanto raça e ainda nossa relação com o meio-ambiente em que vivemos. Com certeza "Energia pura" trata-se de um destes títulos imperdíveis, para quem deseja realmente refletir sobre a vida além de emocionar-se com um bom enredo. Não perca.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Escolas

Já é tempo de nas escolas abordarmos os assuntos universais com mais competência saindo um pouco do "quem descobriu o Brasil".
Nas aulas de química e física, sair da ótica ofuscada e limitada imposta pelo medo religioso mostrando aos alunos do ensino fundamental que estão lidando com o Universo, independente de crença.
Precisamos nos libertar de nossa pequena ignorância para nos lançarmos num vôo de liberdade e paz.

Força

A afirmação "este mundo é dos fortes" que pais passam aos seus filhos como uma forma de faze-los reagir à vida tem sido a responsável por grande parte de nossas desgraças. 
Devemos rever este conceito tolo e ultrapassado.
Devemos desejar um mundo onde não a força mas sim o amor, seja a base.
Ao perdermos um ente querido, por exemplo, diante da morte, não temos que ser fortes pois isso nada tem a ver com força. Temos, isso sim, que sermos esclarecidos e inteligentes, o que é outra coisa.

domingo, 6 de maio de 2018

Feliz dia das mães...










Feliz dia das mães, pai...
Com a proximidade do dia das mães vou me permitir um comentário, apesar de saber que poderei ser mal interpretado.
Muito se fala sobre o “amor de mãe” e quase nada sobre o “amor de pai”. Uma das frases mais hipócritas que já inventaram é “ser mãe é padecer no paraíso” e isso está gravado no inconsciente coletivo. É uma praga. 
O amor é uma energia sublime, no entanto, mesmo tendo sido um pai-mãe para meus dois filhos, sempre recebi muita crítica, como que se isso fosse interpretado pelo inconsciente da sociedade como “cuidado, este pai está tentando ser mãe”.
Não estou com isso desejando criar uma espécie de comparação entre os “amores” o que seria uma imbecilidade, no entanto, ao aproximar-se o dia das mães vemos exaltarem-se por todos os cantos esta imagem quase imaculada, que me gera um desconforto. Por que? Ora, para a maioria dos homens o “padecimento delas no paraíso” sempre foi cômodo, pois enquanto as mães padeciam no paraíso, eles padeciam assistindo o jogo do timão com os amigos, etc... Agora, porque tornou-se comum ouvir uma mulher dizer que não há amor maior do que o de “uma mãe por um filho” e não se considera o mesmo, se for dito por um homem?
Um homem que diz para uma mulher esta afirmação é tomado por ela como um “péssimo partido” como companheiro...
Poderíamos falar por horas sobre esta temática, mas não dá. Melhor será descermos de nossos pedestais, não somos virgens imaculadas tão pouco, mestres crucificados. Um homem nunca será capaz de entender a experiência da gestação, muito menos ainda a concepção, porém, cabe às mulheres fazerem uma reflexão profunda nesta data e aos homens, assumirem-se de verdade deixando de lado a irresponsabilidade fútil, a qual lhes incentivaram a título de masculinidade.
Feliz dia das mães... pais.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Hoje e somente hoje

Hoje e somente hoje


Hoje deparei-me com este amigo e nos cumprimentamos calorosamente. Ele me disse: - por onde andávas? - E eu, com cara de trouxa: - Sei lá...

O hoje é algo mágico pois que está entre ontem e amanhã, à um passo, uma fração de segundos de deixar de ser para ser. O hoje é um enigma e hoje, somente por hoje, o terei deitado em meu colo e me dedicarei a fazer-lhe cafuné. Nele, no hoje.


Se o Universo assim desejar, hoje, este Blog me terá de volta.

sábado, 9 de julho de 2016

Cultura do envelhecimento x teoria da juventude imbecil



Me preocupa o atual momento pelo qual passamos. Quando digo, passamos, refiro-me no geral à todos nós, cientificamente classificados como humanos. Mas tenho que me limitar a minha região, pois que este mundo é vasto demais.

Dia destes uma pessoa entrou em meu carro e eu disse que iria pôr uma musiquinha para embalar a viagem e coloquei Black Eyed Peas, ao que esta pessoa me disse algo como "nossa, você escuta este tipo de música?". Ora, isso me causou espanto e perguntei: - Mas como assim, tipo de música? Ao que a criatura respondeu-me algo como "achei que ouvisse música da sua época..." Minha época??? Mas eu não estou vivo agora? Ou só se tem uma época na juventude e depois de vive como fantasma?
Isso é o que chamo de cultura hipócrita do envelhecimento mental.
Só de gozação mudei para "I Can't Get No" dos Rolling Stones e esgacei o volume. Pronto, eis aí algo de, como dizem, "minha época".

Música é música, não possui época mas sim, qualidade. Ouvirei Black Eyed Peas aos 80, com o volume no máximo se me der vontade. 

Muitas vezes fui criticado por pessoas aparentemente jovens, que acham um erro eu não gostar de ser chamado de "vovô". Ora, e porque deveria gostar. Essa droga de palavra me envelhece uns 30 anos. Eu não tenho culpa se um filho engravida uma menina aos 15 e produzem com isso, um neto. Não serei um vovô aos 50, isso é ridículo. Não ter um neto não é ridículo, mas sim, achar-se vovô.

Por outro lado tenho visto à minha volta jovens vazios, sem cultura e que não sabem se expressar direito, e quando digo, "expressar" não me refiro a linguagem tradicional de nossa gramática, que sempre achei um saco, mas sim, pela falta de expressão mesmo, no âmbito humano. Não sabem expressar seus sentimentos, sua opinião. Exceto aqueles jovens frequentadores de Ongs ou igrejas evangélicas que se consideram ungidos no topo da montanha.

Vivo numa sociedade onde pessoas de 50 se acham velhas e jovens de 25 me questionam do "porque eu ouvir Black Eyed Peas". Isso é horrível.

Somos uma sociedade hipócrita, que de certa forma cultua o envelhecimento e abomina o amadurecimento do jovem.
É lamentável. 


Como diria a profetiza Dercy...."vovô é o caraaaaaaaaalho..."

sábado, 4 de outubro de 2014

E agora?



Sempre achei muito engraçado este questionamento: “Deus existe?”. Ora, claro que não, mas obviamente que sim. A pergunta é irrelevante, portanto, sua resposta é e será uma outra pergunta. “Você existe?”. Antes de fazermos uma pergunta tão tola e fútil, deveríamos nos questionar sobre o significado de existência. E para minha surpresa, ou não, até mesmo no dicionário deparei-me com um conceito de existência um tanto quanto equivocado: “Vida; ser; ente; maneira de viver.”
Se pararmos para pensar não há como conceituarmos certas coisas e aí é que começa o grande dilema. Cientistas buscam afinar ainda mais estes conceitos usando a ótica limitada e incoerente da ciência humana. Poucos dias atrás li uma matéria de um renomado físico que diz categoricamente que Deus não existe. Sim, e ele teve que estudar a vida inteira para chegar à esta conclusão? Sim, Deus, como nós concebemos na palavra realmente “não existe”. O que existe e nunca poderá ser diferente é a própria existência. E a existência é Deus. Antes que digam que estou plagiando Osho, sim, eu diria, não me assustaria se dissessem isso. Foi lendo os textos de Osho que me senti mais em casa do que nunca. Suas palavras foram um bálsamo para meu espírito em momentos de turbulência. Ele mesmo faz referência à Existência e tudo o que estou dizendo aqui poderá ser interpretado como uma releitura de Osho.
Mas é justamente aí que quero chegar! Não há novidade a ser dita. Somos hipócritas. Seres ainda totalmente dependentes de conceitos de dicionário, incapazes de lançarem-se livremente dentro de seu próprio Sentir. Para os cientistas que afirmam que Deus não existe eu diria que sim, um Deus personificado, misericordioso e dual, sim, Ele não existe. No entanto, a matéria na qual o próprio cientista vibra, é Deus, circulando dentro de um organismo limitado, dando boas gargalhadas de si mesmo.
A humanidade se libertaria muito se passasse a ter na imagem de Deus um Ser totalmente bem humorado, tranquilo e despreocupado. Somos prisioneiros do que Não Há. E ser prisioneiro de uma ilusão é a pior de todas as formas de prisão. Justamente por isso os sistemas de Umbral estão lotados. Porque ali se encontram almas presas nas suas ilusões. “Deus é bom, Deus perdoa, Deus julga, Deus é misericordioso, Deus é, Deus não é... Tudo balela! Tudo ilusão.
Deus não existe porque sua existência não passa de uma necessidade humana, no entanto, Deus, ou seja, a Existência, é a única coisa realmente verdadeira que há. Quando dizem: Deus criou o homem segundo sua imagem e semelhança estão falando do quê afinal? Que somos assim, humanos, porque somos parecidos com Ele? Besteira! A imagem e semelhança Universal está presente em tudo. Um cachorro é a imagem e semelhança de Deus, uma lesma é, uma pedra, uma planta, o mar, ou seja, tudo, absolutamente tudo é um reflexo da Existência.
O questionamento “Deus existe?” sequer deveria fazer parte de nossas vidas. Lembre-se daqueles dias em que você, ainda criança, deitava na grama e ficava olhando as nuvens e imaginando formas. Aqueles banhos de chuva, os momentos em que olhávamos para o céu noturno e tínhamos a certeza de estarmos vendo discos voadores. Era Deus falando conosco o tempo Todo. Porque Ele, que nem Ele é, pois é impossível conceituar, ou seja, a Existência, sempre esteve ali, a espiar-nos tranquilamente, como que brincando de esconde-esconde.
O mais próximo que consegui chegar de Deus até hoje foi lendo os textos de Mário Quintana, e para encerrar este texto eu diria. Quintana, num dado momento de minha vida foi meu Deus. Da mesma forma que foram um dia, aqueles alienígenas mais inteligentes os deuses de todos nós, na antiguidade, fazendo contato em suas naves e ditando suas regras em tábuas de pedra.



                   Gilberto Cardoso