_______________________________________________________________________
Numa leitura de Zero Hora dominical, fui levado a algumas reflexões, que aqui, divido com vocês.
Em sua coluna, Paulo Santana nos fala sobre o “O poder do sexo” e toca num assunto bastante delicado para toda nossa sociedade. Não há como negar, que nós, seres humanos, somos um grande mistério, e na verdade nem sabemos ao certo como e porque se dá nossa passagem pela Terra.
O fato é que, quando falamos em energia sexual, estamos falando da fonte criadora de tudo. Estamos falando da energia que move o mundo. A energia que cria, é sexual, criativa, mas não no sentido do ato sexual em si. O ato sexual como o conhecemos na carne, é apenas uma pequena, muito pequena, forma de expressão da magnitude desta fonte. Que há uma distorção, não temos dúvidas, mas como esta distorção se iniciou em nossa trajetória sobre a Terra, nada sabemos.
Poderíamos falar, ou tentar falar, de uma época anterior ao que classificamos como pré-história (até porque a pré-história era o recomeço após uma grande queda) e ainda assim estaríamos diante das atrocidades cometidas em nome do desejo humano. O sexo é só uma porta através da qual, o ego humano achou para depositar-se como parasita fértil, e de lá, comandar nossas mentes.
Refletindo sobre o que questiona Paulo Santana em sua matéria, quando se diz intrigado pelo fato de não ver por ai, mulheres pedófilas ou estupradoras, me lembro de tudo o que já li e ouvi sobre a sexualidade humana, e na tentativa de formar uma opinião, arrisco-me a dizer que parte desta resposta possa estar nas vias Yin e Yang de nossa natureza. Sinto que, grande responsabilidade deste tema está na educação que damos aos nossos filhos. Nós, homens, de certa forma somos criados a valorizar o pênis, como uma arma. É algo que fica duro, apontamos para os outros e disparamos. Para quem disser que não é verdade, fica aqui a pergunta; - Porque os pais acham que o menino pode urinar na rua, em qualquer cantinho só porque é homem, mas a menina, Deus nos livre, se for urinar na rua será humilhada? Poder. Isso é o que passamos aos nossos filhos homens. Pênis é poder. Bote isso dentro dos outros e soque até não aguentar mais. Ora, a energia do homem é Yang, ou seja, é altamente penetrativa, enquanto a energia fundamental feminina é Yin, acolhedora, receptiva, recebedora, e assim por diante. Justamente por isso elas é que engravidam, pois acolhem, se nós ficássemos grávidos, promoveríamos uma guerra. Não há como uma energia recebedora tornar-se estupradora, mas para a energia penetrativa, isso é um pulinho.
Muito do que estamos vendo por aí, em questão de abusos sexuais, pedofilia, atiradores dentro de escolas matando com rifles, estupros, poderia ser amenizado se ao menos estivéssemos levando muito mais arte para a educação como um todo. Não adianta construirmos mais presídios. Arte, arte e arte. Devemos encher com arte os espaços vazios dentro de todos nós.
Em “As desencaminhadoras” no caderno Donna, Luis Fernando Veríssimo nos brinda com um assunto interessante. Ele nos leva a um raciocínio legal sobre as questões energéticas, falando da força magnética que a Terra possui. Magnetismo? Sim, magnetismo, uma das mais poderosas forças que a natureza dispõe. O mais interessante nisto tudo é lembrarmo-nos daquela máxima do Budismo que nos afirma que nada é totalmente negativo, esta afirmação está intimamente ligada à teoria da relatividade de Albert Einstein, que também é citado nesta matéria, e que quanto mais estudou física, mais dentro do espiritualismo se viu. Para mim esta é a explicação do porque da famosa imagem dele de língua de fora. Ou seja, percebendo ou não, Paulo Santana, neste domingo, nos introduz a um raciocínio, que depois, vem sendo delineado por Veríssimo, quando aborda a temática “magnetismo”. Deus? Sim, uma força inexplicável, que nada tem a ver com nossos fracassos e tudo tem a ver com tudo. Há sentido nisso? Não? Mas ai é que está, não tem como haver sentido se olharmos pelo ângulo mental da explicação científica. Estamos nos estuprando e criando uma massa pedófila porque estamos tentando conceituar ao invés de sentir. As forças da natureza estão aí para nos fazer refletir sobre nossa insignificância, ao mesmo tempo em que nos diz que somos deuses de nós mesmos, pois somos tão importantes para a criação, que fomos materializados num planeta com magnetismo, isso para que nossos pezinhos não se desprendessem do solo e pudéssemos viver esta experiência sem ficarmos por aí, vagando como astronautas de mármore. Se dedicássemos mais tempo as artes e menos ao estudo das guerras, já daríamos um passo certo ao antipedofilismo do mundo? Quem sabe.
Mais adiante, ainda em Donna, fiquei feliz ao encontrar imagens (pág. 24) do amado Templo Budista de Três Coroas, o Khadro Ling, na matéria escrita por Tríssia Ordovás Sartori Pioneiro. Fica registrada aqui uma brincadeira que faço sobre a insensibilidade dos diagramadores de ZH, ao colocarem um grande anúncio da Emagrecentro na mesma página desta matéria budista. Ou foi acidental, ou foi proposital, no sentido de testar nossa atenção meditativa, pois que, uma bela mulher com um belo corpo, contrapõe-se com a foto da budista, acima, o que me fez pensar, acredite ou não, nos questionamentos de Paulo Santana, sobre o poder do sexo, e também, no texto do Veríssimo, sobre magnetismo e as forças da natureza. Ora, quem achou importante colocar este corpo exuberante, na mesma página de uma matéria budista, achando que estava dando um grande pulo de marketing em todos nós, apenas nos provou tudo o que foi dito... Ou seja, estamos escravos desta situação. Aqui, penso, seria o local certo para fazermos um anúncio sobre tratamentos alternativos, por exemplo. Mas, mídia é mídia e não me cabe discutir o quanto deve ela, a Emagrecentro, ter pagado para estar ali, ao lado dos Budas. Uma bela mulher ao lado dos Budas. Permitam-me à brincadeira. Porque estou falando disso? Ora, a matéria do Santana está ali, tanto quanto a matéria do Veríssimo. Onde? Bom, o fato é que o exuberante corpo “sarado” e humano ainda exerce sobre todos nós um grande fascínio. Vejamos, admirar um belo corpo pelas suas formas perfeitas, também é admirar uma obra da natureza, e discordo dos religiosos, quando afirmam que este “admirar” por si só se traduz numa porta aberta para o inferno de nossas sombras. O que quero dizer com isso é que não está no corpo o perigo, mas sim, no que você pensa ao observá-lo. O magnetismo que pode ser originado através deste processo de pensamento e o seu desejo é que impulsiona os homens ao estupro.
Somos vítimas de nossa própria ignorância. Fugimos do que não tem necessidade de fuga.
O que me intriga, quando falamos de espiritualidade e caminho espiritual, é que estamos inseridos nele o tempo todo, e não há como sair. Graças a Deus! Todas as formas que nosso espírito busca para entender a questão da existência são válidas, o próprio Budismo nos fala sobre isso. Por isso, precisamos deixar claro que nossas experiências são “nossas” e talvez sejam na verdade a única coisa que realmente temos. Não podemos achar nossos semelhantes menos ou mais espiritualizados do que nós, meramente por suas experiências ou aparente conhecimento teórico sobre o assunto. Você estar dentro de um Templo Budista, para Deus, é tão importante quanto o fato de você estar alegremente passeando com sua família pelo brick da redenção numa tarde de domingo. O “Homem do gato” pode exercer neste contexto uma missão tão espetacular quanto os Lamas, ao nos fazer rir como crianças esquecendo por alguns momentos os estupros da vida moderna.
O grande questionamento que me faço é, “ainda não evoluímos a ponto de deixarmos de sermos selvagens, por quê?” Somos selvagens, por isso Santana terminou seu texto com o desabafo “que imundície é esta espécie humana!” Mas devemos lembrar que há em todos nós um desejo latente de tornar-se melhor. Isso ainda nos impulsiona. Isso é espiritualidade. Se você levanta todos os dias pela manhã na mesma hora para orar, não julgue quem não o faz, e sai às pressas para trabalhar o dia inteiro atrás do preenchimento de seu tempo, buscando sua sobrevivência. Isso também é uma forma de comunhão com Deus! Sobreviver é crer que há uma razão maior para tudo, ou então ficaríamos todos em casa e a economia sucumbiria. Se fossemos todos elevados ao patamar de monges, o mundo ficaria sem graça. Tenho assistido inúmeras vezes um DVD que possuo de um espetáculo de Nando Reis, em Porto Alegre, onde ele alegremente inicia na companhia de Hare Krishnas cantando uma bela canção. Isso é espiritualidade e se no momento em que assistir ao DVD eu estiver preocupado com as falhas de vida de Nando Reis, pronto, perdi a sintonia. Artistas são médiuns exercendo seu direito de levar a energia aos outros de formas diferentes. As coisas da vida não se resumem ao que você acha que são. Óbvio? Ora, ora, então encerraremos aqui falando da bela matéria de Martha Medeiros, “tão óbvio” onde a jornalista nos brinda de forma clara e objetiva com uma reflexão sobre o óbvio. Concordo com ela em grau e gênero, e até gostaria de ter sido o autor da matéria. Brincadeiras à parte achei extremamente feliz a conclusão dela de que o caminho para a felicidade é óbvio, até porque considero que o próprio Universo o é. Não há nada de pecaminoso no óbvio, mas, nosso ego nos fez crer que a sabedoria estava na complexidade das coisas. O olhar sisudo dos homens antigos, ditos sábios, caem todos por terra diante do olhar singelo e criança de Mário Quintana. Quintana brincava e nos convidava a brincar com nossos óbvios, era feliz do seu jeito, e foi este jeito que presenteou-nos com maravilhosos poemas. O texto de Martha me entrou feito uma navalha, quando ela me diz; “felicidade é algo que todos desejam e ao mesmo tempo renegam, já que não saberiam lidar com algo que lhes deixaria tão soltos e leves...” é justamente isso o que fiz comigo mesmo a vida toda e agora tento reverter. Cai de joelhos diante do óbvio e chorei feito criança quando percebi o quanto era ridículo. Humanamente ridículo. Fico feliz, ao parar para ler um jornal e perceber que o Universo está falando comigo através destas outras pessoas. Alegra-me ver que estes jornalistas dedicam certo tempo para fazer-nos refletir sobre a vida. Agora, de todas as matérias que li, a mais intrigante foi a “um avião de dinheiro e não deu para pagar”, de Maria Isabel Hammes, sobre Péricles de Freitas Druck. Por quê? Mas não lhe parece óbvio?
Nenhum comentário:
Postar um comentário