quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Circo, barraca armada e pescaria

   A política transformou-se num espetáculo desmedido e sem graça. Quando assistimos ao horário político obrigatório na TV, parece estarmos diante de uma "zorra total", tamanho o ridículo dos codinomes em que se apresentam, bem como as doentias propostas de uma sociedade justa e sadia.

(Quão lindo seria o mundo se fosse exatamente como os candidatos prometem em campanha)

   Não sou hipócrita em afirmar que não acredito em política, nem mesmo digo, que políticos são todos iguais, pois não é verdade. O fato é que não estamos lidando com as pessoas em si, nem com o chamado "sistema", mas sim, com as criações desse sistema. Nossas mentes criaram um modelo podre que paira sobre nossas cabeças como uma terceira pessoa a assombrar-nos. 

    Este, no meu ponto de vista, é o real problema. O inconsciente-coletivo criou um Frankenstein gigantesco do qual não conseguimos nos livrar mais. O primo do Hulk, que nos obsedia todos os dias. O circo está armado, barraca é pouco neste camping e melhor seria sair para pescar no dia de votação.

   Temos de ser cidadãos e votar. Mas acho que este ano vou votar no Superman. (Não duvido se não tiver um louco por aí com este codinome).

     Todos nós precisamos acordar para o fato de que não é a política que não presta, nem os políticos, mas sim, nossa atitude em relação à vida. Tudo o que fazemos é envolvido em política, comemos, bebemos, transamos e defecamos política. A política, talvez seja a coisa realmente mais presente na vida de todos nós. Por isso é besteira dizer, "eu não falo de política"... Não fala? Vejamos. Você fala de futebol? É política. A política dos clubes. Você fala de sexo? É política. Você fala da violência do mundo? Política. 

   As "mentes políticas" sabem disso, e é justamente disso que se alimentam. É triste, mas estou ouvindo aos 46 anos de idade, os mesmos discursos que ouvia aos 6.  O homem público é um urubu que precisa das carniças sociais para parecer eficiente. E à todos estes irmãos, que são candidatos, digo, isolem-se dentro de seus quartos no final de um dia de campanha, desliguem o celular e fiquem completamente sós. Ajoelhem-se diante de uma parede vazia, e ai sim, sem ninguém ver, sejam sinceros consigo mesmos. Procurem sintonizarem-se com o que irão sentir. Depois, conversaremos. Quero que alguém, apartir deste "sentir", com o coração, argumente-me do "porque" eu não deveria votar em branco.


           um abraço

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