Violência
registrada e não registrada
Não tenho pretensão alguma com o que
escrevo, senão, a de exercer meu direito de manifestar-me. Esta é a única
liberdade que tenho nesta vida. Não ergo bandeiras, não defendo causas, até
porque causas e bandeiras já foram motivo de muita desgraça neste mundo.
Surpreende-me sempre o ângulo obtuso pelo qual observamos as coisas, e nisso,
estou incluso, com certeza, pois considero-me um ignorante perante a vida.
Exemplo disso são as ONGS criadas mundo
afora para direcionar nossa atenção à um problema específico. Aí vemos
comerciais de TV falando destes pontos e redirecionando nossa atenção. O que
está acontecendo afinal? Enquanto lês este texto, muitas mulheres com certeza
estão sendo agredidas por seus companheiros, crianças estão sendo violadas em
seus direitos mais básicos, gente está mentindo e gente está roubando. Isso é
fato.
Em outras épocas não tínhamos sequer a
possibilidade de nos conectarmos como agora, e textos como este provavelmente
me fariam amanhecer com a boca cheia de formigas. Uma fogueira aqui, outra
fogueira ali, e a Igreja foi construindo seu império acusando de bruxaria,
pensadores de todo o tipo. No entanto, até mesmo hoje, ser poeta ou filósofo é
extremamente arriscado. Queimamos na fogueira do óbvio. Somos engolidos,
ofendidos, devorados, saboreados, dilacerados, todos os dias, pela falta de
sabedoria do mundo. Então? Do que estamos falando afinal?
Todo problema social que enfrentamos é
espiritual e toda a espiritualidade está também embasada em preceitos morais
valiosos, os quais, ferimos todo o tempo. Todos os problemas que enfrentamos
estão relacionados à educação. Dizer, “com licença”, “por favor”, “muito obrigado”,
assim como “vá pro inferno”, são palavras espirituais, mas não estamos aqui
falando de crença, mas sim, de moral. Somos amorais, não necessariamente
imorais, mas, amorais. E amorais rima com samurais, o que somos também,
samurais-gays, samurais-lésbicas, samurais-gaudérios, samurais-espíritas, etc,
etc, etc... Ainda não conseguimos nos livrar das espadas lavadas de sangue
assim como não nos livramos das Ongs, não que não devessem existir, mas o que
intriga é estarmos sempre tendo que criar escudos para nossas próprias flechas,
dos políticos, do teatro transparente e frágil das missas, não nos livramos de
nada do que já deveríamos ter deixado para trás há muito tempo.
Bom, perdi o fio da meada mesmo, agora só resta colocar um
ponto final no final desta frase. E só.
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