A afirmação pode parecer absurda, mas é verdadeira. Assim, com medo de
rir e vergonha de sorrir, foi que cresci. Até ria, sorria, mas com receio à
crítica. Isso gera um sentimento profundo de preocupação em relação a estar
aqui, neste plano.
Mas tudo bem,
sobrevivemos a isso. Digo sobrevivemos porque sei que não sou o único, e sim,
um, dentre toda uma geração. Sabe aquela máxima de “moça não poder andar de
bicicleta porque perdia a virgindade”? Não se tratava de uma lenda, era fato.
Perder a virgindade num banquinho? Não, não, era fato, que acontecia de fato a
proibição.
Imagino que nos planos
superiores, todos riem, sorriem o tempo todo. Sorrir é deixar a porta do
espírito aberta para a vida.
Numa ocasião em que
estive com meu filho mais velho hospitalizado por uma semana, isso quando ele
tinha cinco anos, já não sabendo mais o que fazer para alegrá-lo, passei numa
banca e levei para o hospital um gibi do Chico Bento. Sentei ao lado dele na
cama e comecei a ler. Porém, havia um diferencial na minha interpretação, pois
eu lia falando do jeito que, supostamente, o personagem do Chico falaria se
estivesse ali, lendo os balõezinhos a risca.
Com isso consegui,
depois de dias seguidos, instalar um belo sorriso na face de meu filho, o que
me encheu o coração de alegria também.
Então, porque sempre foi
tão amargo rir? Eu tinha medo de rir e vergonha de sorrir. Medo de rir porque
rir era algo relacionado a estar fazendo alguém de palhaço e isto era encrenca
na certa. Sorrir, porque sorrir era um ato de espontaneidade para o qual eu não
havia sido libertado. É mais ou menos como ficar olhando para o tronco das
chibatadas com um sorrisinho amarelo na cara achando-se diante dum poly dance,
(que frase infeliz) mas, se você deu uma risadinha, já valeu.
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