sábado, 25 de janeiro de 2014

Eu tinha medo de rir, vergonha de sorrir.

A afirmação pode parecer absurda, mas é verdadeira. Assim, com medo de rir e vergonha de sorrir, foi que cresci. Até ria, sorria, mas com receio à crítica. Isso gera um sentimento profundo de preocupação em relação a estar aqui, neste plano.
          Mas tudo bem, sobrevivemos a isso. Digo sobrevivemos porque sei que não sou o único, e sim, um, dentre toda uma geração. Sabe aquela máxima de “moça não poder andar de bicicleta porque perdia a virgindade”? Não se tratava de uma lenda, era fato. Perder a virgindade num banquinho? Não, não, era fato, que acontecia de fato a proibição.
         Imagino que nos planos superiores, todos riem, sorriem o tempo todo. Sorrir é deixar a porta do espírito aberta para a vida.
         Numa ocasião em que estive com meu filho mais velho hospitalizado por uma semana, isso quando ele tinha cinco anos, já não sabendo mais o que fazer para alegrá-lo, passei numa banca e levei para o hospital um gibi do Chico Bento. Sentei ao lado dele na cama e comecei a ler. Porém, havia um diferencial na minha interpretação, pois eu lia falando do jeito que, supostamente, o personagem do Chico falaria se estivesse ali, lendo os balõezinhos a risca.
          Com isso consegui, depois de dias seguidos, instalar um belo sorriso na face de meu filho, o que me encheu o coração de alegria também.
         Então, porque sempre foi tão amargo rir? Eu tinha medo de rir e vergonha de sorrir. Medo de rir porque rir era algo relacionado a estar fazendo alguém de palhaço e isto era encrenca na certa. Sorrir, porque sorrir era um ato de espontaneidade para o qual eu não havia sido libertado. É mais ou menos como ficar olhando para o tronco das chibatadas com um sorrisinho amarelo na cara achando-se diante dum poly dance, (que frase infeliz) mas, se você deu uma risadinha, já valeu.
        







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