segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Energia pura

Quando falamos em espiritualidade raramente conseguimos tratar do assunto com imparcialidade religiosa ou padrão de crença. No caso do filme "Energia pura", o personagem central surpreende-nos pela maneira como se expressa, sempre tocando nossa alma com sensibilidade e zêlo. O filme retrata o momento da vida de um jovem albino criado pelos avós numa cidade do interior, totalmente isolado do mundo, tendo que partir para o contato com o exterior, após anos de vida em cativeiro sendo considerado uma anomalia. Auto-didata e dotado de uma sabedoria peculiar, o personagem central se vê diante de um trágico dilema ao ter que encarar o mundo prático pela primeira vez. Quatro outros personagens se envolvem neste contexto diretamente, uma assistente social, um delegado, um professor e uma aluna da escola para onde o levam, de forma a dar ao enredo um toque sutil sobre o relacionamento humano em suas variadas possibilidades.

Um encontro com a simplicidade

Há uma cena em particular que deve chamar a atenção de todo bom expectador, que é o diálogo entre o personagem central e a aluna da escola com quem ele se relaciona de forma mais tranquila, no momento em que conversam no banco de um parque numa festa comunitária. Nesta cena, de maneira muito simples o rapaz fala sobre a experiência humana neste plano, dando-nos a idéia clara e objetiva sobre a razão de estarmos aqui e qual seria o nosso maior compromisso como irmãos enquanto raça e ainda nossa relação com o meio-ambiente em que vivemos. Com certeza "Energia pura" trata-se de um destes títulos imperdíveis, para quem deseja realmente refletir sobre a vida além de emocionar-se com um bom enredo. Não perca.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Escolas

Já é tempo de nas escolas abordarmos os assuntos universais com mais competência saindo um pouco do "quem descobriu o Brasil".
Nas aulas de química e física, sair da ótica ofuscada e limitada imposta pelo medo religioso mostrando aos alunos do ensino fundamental que estão lidando com o Universo, independente de crença.
Precisamos nos libertar de nossa pequena ignorância para nos lançarmos num vôo de liberdade e paz.

Força

A afirmação "este mundo é dos fortes" que pais passam aos seus filhos como uma forma de faze-los reagir à vida tem sido a responsável por grande parte de nossas desgraças. 
Devemos rever este conceito tolo e ultrapassado.
Devemos desejar um mundo onde não a força mas sim o amor, seja a base.
Ao perdermos um ente querido, por exemplo, diante da morte, não temos que ser fortes pois isso nada tem a ver com força. Temos, isso sim, que sermos esclarecidos e inteligentes, o que é outra coisa.

domingo, 6 de maio de 2018

Feliz dia das mães...










Feliz dia das mães, pai...
Com a proximidade do dia das mães vou me permitir um comentário, apesar de saber que poderei ser mal interpretado.
Muito se fala sobre o “amor de mãe” e quase nada sobre o “amor de pai”. Uma das frases mais hipócritas que já inventaram é “ser mãe é padecer no paraíso” e isso está gravado no inconsciente coletivo. É uma praga. 
O amor é uma energia sublime, no entanto, mesmo tendo sido um pai-mãe para meus dois filhos, sempre recebi muita crítica, como que se isso fosse interpretado pelo inconsciente da sociedade como “cuidado, este pai está tentando ser mãe”.
Não estou com isso desejando criar uma espécie de comparação entre os “amores” o que seria uma imbecilidade, no entanto, ao aproximar-se o dia das mães vemos exaltarem-se por todos os cantos esta imagem quase imaculada, que me gera um desconforto. Por que? Ora, para a maioria dos homens o “padecimento delas no paraíso” sempre foi cômodo, pois enquanto as mães padeciam no paraíso, eles padeciam assistindo o jogo do timão com os amigos, etc... Agora, porque tornou-se comum ouvir uma mulher dizer que não há amor maior do que o de “uma mãe por um filho” e não se considera o mesmo, se for dito por um homem?
Um homem que diz para uma mulher esta afirmação é tomado por ela como um “péssimo partido” como companheiro...
Poderíamos falar por horas sobre esta temática, mas não dá. Melhor será descermos de nossos pedestais, não somos virgens imaculadas tão pouco, mestres crucificados. Um homem nunca será capaz de entender a experiência da gestação, muito menos ainda a concepção, porém, cabe às mulheres fazerem uma reflexão profunda nesta data e aos homens, assumirem-se de verdade deixando de lado a irresponsabilidade fútil, a qual lhes incentivaram a título de masculinidade.
Feliz dia das mães... pais.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Hoje e somente hoje

Hoje e somente hoje


Hoje deparei-me com este amigo e nos cumprimentamos calorosamente. Ele me disse: - por onde andávas? - E eu, com cara de trouxa: - Sei lá...

O hoje é algo mágico pois que está entre ontem e amanhã, à um passo, uma fração de segundos de deixar de ser para ser. O hoje é um enigma e hoje, somente por hoje, o terei deitado em meu colo e me dedicarei a fazer-lhe cafuné. Nele, no hoje.


Se o Universo assim desejar, hoje, este Blog me terá de volta.

sábado, 9 de julho de 2016

Cultura do envelhecimento x teoria da juventude imbecil



Me preocupa o atual momento pelo qual passamos. Quando digo, passamos, refiro-me no geral à todos nós, cientificamente classificados como humanos. Mas tenho que me limitar a minha região, pois que este mundo é vasto demais.

Dia destes uma pessoa entrou em meu carro e eu disse que iria pôr uma musiquinha para embalar a viagem e coloquei Black Eyed Peas, ao que esta pessoa me disse algo como "nossa, você escuta este tipo de música?". Ora, isso me causou espanto e perguntei: - Mas como assim, tipo de música? Ao que a criatura respondeu-me algo como "achei que ouvisse música da sua época..." Minha época??? Mas eu não estou vivo agora? Ou só se tem uma época na juventude e depois de vive como fantasma?
Isso é o que chamo de cultura hipócrita do envelhecimento mental.
Só de gozação mudei para "I Can't Get No" dos Rolling Stones e esgacei o volume. Pronto, eis aí algo de, como dizem, "minha época".

Música é música, não possui época mas sim, qualidade. Ouvirei Black Eyed Peas aos 80, com o volume no máximo se me der vontade. 

Muitas vezes fui criticado por pessoas aparentemente jovens, que acham um erro eu não gostar de ser chamado de "vovô". Ora, e porque deveria gostar. Essa droga de palavra me envelhece uns 30 anos. Eu não tenho culpa se um filho engravida uma menina aos 15 e produzem com isso, um neto. Não serei um vovô aos 50, isso é ridículo. Não ter um neto não é ridículo, mas sim, achar-se vovô.

Por outro lado tenho visto à minha volta jovens vazios, sem cultura e que não sabem se expressar direito, e quando digo, "expressar" não me refiro a linguagem tradicional de nossa gramática, que sempre achei um saco, mas sim, pela falta de expressão mesmo, no âmbito humano. Não sabem expressar seus sentimentos, sua opinião. Exceto aqueles jovens frequentadores de Ongs ou igrejas evangélicas que se consideram ungidos no topo da montanha.

Vivo numa sociedade onde pessoas de 50 se acham velhas e jovens de 25 me questionam do "porque eu ouvir Black Eyed Peas". Isso é horrível.

Somos uma sociedade hipócrita, que de certa forma cultua o envelhecimento e abomina o amadurecimento do jovem.
É lamentável. 


Como diria a profetiza Dercy...."vovô é o caraaaaaaaaalho..."

sábado, 4 de outubro de 2014

E agora?



Sempre achei muito engraçado este questionamento: “Deus existe?”. Ora, claro que não, mas obviamente que sim. A pergunta é irrelevante, portanto, sua resposta é e será uma outra pergunta. “Você existe?”. Antes de fazermos uma pergunta tão tola e fútil, deveríamos nos questionar sobre o significado de existência. E para minha surpresa, ou não, até mesmo no dicionário deparei-me com um conceito de existência um tanto quanto equivocado: “Vida; ser; ente; maneira de viver.”
Se pararmos para pensar não há como conceituarmos certas coisas e aí é que começa o grande dilema. Cientistas buscam afinar ainda mais estes conceitos usando a ótica limitada e incoerente da ciência humana. Poucos dias atrás li uma matéria de um renomado físico que diz categoricamente que Deus não existe. Sim, e ele teve que estudar a vida inteira para chegar à esta conclusão? Sim, Deus, como nós concebemos na palavra realmente “não existe”. O que existe e nunca poderá ser diferente é a própria existência. E a existência é Deus. Antes que digam que estou plagiando Osho, sim, eu diria, não me assustaria se dissessem isso. Foi lendo os textos de Osho que me senti mais em casa do que nunca. Suas palavras foram um bálsamo para meu espírito em momentos de turbulência. Ele mesmo faz referência à Existência e tudo o que estou dizendo aqui poderá ser interpretado como uma releitura de Osho.
Mas é justamente aí que quero chegar! Não há novidade a ser dita. Somos hipócritas. Seres ainda totalmente dependentes de conceitos de dicionário, incapazes de lançarem-se livremente dentro de seu próprio Sentir. Para os cientistas que afirmam que Deus não existe eu diria que sim, um Deus personificado, misericordioso e dual, sim, Ele não existe. No entanto, a matéria na qual o próprio cientista vibra, é Deus, circulando dentro de um organismo limitado, dando boas gargalhadas de si mesmo.
A humanidade se libertaria muito se passasse a ter na imagem de Deus um Ser totalmente bem humorado, tranquilo e despreocupado. Somos prisioneiros do que Não Há. E ser prisioneiro de uma ilusão é a pior de todas as formas de prisão. Justamente por isso os sistemas de Umbral estão lotados. Porque ali se encontram almas presas nas suas ilusões. “Deus é bom, Deus perdoa, Deus julga, Deus é misericordioso, Deus é, Deus não é... Tudo balela! Tudo ilusão.
Deus não existe porque sua existência não passa de uma necessidade humana, no entanto, Deus, ou seja, a Existência, é a única coisa realmente verdadeira que há. Quando dizem: Deus criou o homem segundo sua imagem e semelhança estão falando do quê afinal? Que somos assim, humanos, porque somos parecidos com Ele? Besteira! A imagem e semelhança Universal está presente em tudo. Um cachorro é a imagem e semelhança de Deus, uma lesma é, uma pedra, uma planta, o mar, ou seja, tudo, absolutamente tudo é um reflexo da Existência.
O questionamento “Deus existe?” sequer deveria fazer parte de nossas vidas. Lembre-se daqueles dias em que você, ainda criança, deitava na grama e ficava olhando as nuvens e imaginando formas. Aqueles banhos de chuva, os momentos em que olhávamos para o céu noturno e tínhamos a certeza de estarmos vendo discos voadores. Era Deus falando conosco o tempo Todo. Porque Ele, que nem Ele é, pois é impossível conceituar, ou seja, a Existência, sempre esteve ali, a espiar-nos tranquilamente, como que brincando de esconde-esconde.
O mais próximo que consegui chegar de Deus até hoje foi lendo os textos de Mário Quintana, e para encerrar este texto eu diria. Quintana, num dado momento de minha vida foi meu Deus. Da mesma forma que foram um dia, aqueles alienígenas mais inteligentes os deuses de todos nós, na antiguidade, fazendo contato em suas naves e ditando suas regras em tábuas de pedra.



                   Gilberto Cardoso    

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Yin e Yang




“Muito mais que um conceito, uma forma de sentir.”

No universo não há estagnação, mas isto não significa que o universo seja tenso e diga às galáxias que não pode ficar parado. Há movimento e ação constantes, porém, dentro de uma harmonia completamente natural e espontânea. Quando falamos de Yin e Yang estamos falando de uma das mais belas simbologias a que a mente humana foi capaz de criar, para, singelamente demonstrar a ideia de como duas energias antagônicas se mantêm, apesar deste antagonismo, inseridas uma dentro da outra.
Ao contrário do que se imagina, quando falamos de Yin e Yang, não estamos falando de Dualidade universal. O Yin e o Yang simbolizam sim, para nós, as dualidades da vida, mas isso se dá para que possamos ter entendimento sobre algo maior. Ou seja, a dualidade da não dualidade.
Olhe atentamente para o diagrama e perceba o seguinte: Você na verdade está olhando para uma figura estática que simboliza um estado de movimento constante. Simboliza um estado de transformação contínua. Simboliza uma constante transmutação energética.
A Existência flui incessantemente sem prender-se aos nossos conceitos de acima e abaixo, à esquerda e a direita, etc. O símbolo do Yin e Yang traz em si esta realidade. Quando Yin torna-se Yang, quando Yang passa a assimilar Yin, quando Yang penetra Yin e Yin deixa-se envolver por Yang e assim por diante. Todas as palavras que procurarmos usar serão poucas, mas por outro lado há uma imensidão de palavras possíveis que se encaixam neste contexto.
Quando você estiver lendo este texto, olhe para um ponto qualquer do ambiente. O que vê? O ar? O oxigênio? Não, você está sempre olhando para esta realidade, o Yin e o Yang. O oxigênio está contido dentro do Yin e Yang e ao mesmo tempo contém os dois em constante ação e interação. Isso é o que significa a simbologia gráfica, a constante universal.
Algo que não possui fórmula nem forma, mesmo assim está presente em todo o universo. Não possui rima, construção ou destruição, mas é capaz de construir e destruir a partir de outros princípios associados.
Você está diante de algo que não possui começo, meio e fim.  Observe o símbolo atentamente e procure compreender o seguinte: Ele não está dizendo a você que há uma bolinha preta dentro de um peixe branco e uma bolinha branca dentro de um peixe preto. Não, isso é básico, é apenas mental. Tente, mentalmente, fazer com que o símbolo comece a girar. Vá girando, girando, girando incessantemente. O que terá? Você terá a harmonia universal, ou seja, o movimento dentro do estático e o aparente estático dentro do movimento. Isso é Tao. E o Tao é simbolizado pelo símbolo, ainda que de maneira gráfica e limitada. Em tudo há este princípio. Nos átomos, nas moléculas, no núcleo dos átomos, enfim, em toda a Existência. O Tao lhe abraça afetivamente, mas para sentir o calor deste abraço você precisa se despir de conceitos.



Gilberto Cardoso

quarta-feira, 26 de março de 2014

O sentido

Não há sentido em buscar um sentido para tudo. Certas coisas, apenas são e ser é algo diferente de ter sentido. O fato absoluto em tudo isso é que entre o começo e o expressivo fim, houve um meio. Entre o acima e o abaixo há uma meia altura e entre a esquerda e a direita, há um caminho. 


E o que busco em mim, ninguém me dará, jamais...
Nem mesmo aquele ou aquela que disser me amar. O que eu busco na vida, somente a vida em si, como uma existência poderá me oferecer. E eu a ela, entregar-me de coração.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Maioridade penal

Maioridade Penal

A frase “maioridade penal” para mim, rima muito com “sociedade medieval”. Ora, se não estamos sendo capazes de estimular nossas crianças à prática de coisas vindouras e buscamos reduzir a idade dos seus “crimes”, no ritmo que se segue, logo estaremos queimando gente em praça pública, ou decepando partes de seus corpos como exemplo.
A pergunta que me fica latejando na cabeça é: - Aonde afinal, chegaremos com isso? Reduzir a maior idade penal é a mesma coisa que dizer para uma criança: - Você agora é um criminoso “oficial”. Obviamente que isto servirá não de reprimenda, mas sim, de estímulo, pois o jovem se sentirá ainda mais poderoso, afinal os olhos da justiça brasileira tiveram sua atenção tão direcionada a ele, que foi preciso reduzir a idade dos seus crimes.
O crime maior quem comete, são os nossos representantes públicos, que roubam dinheiro dos cofres públicos e enriquecem do dia para a noite, sem qualquer repressão. Sei que, dentre eles há, sem sombra de dúvidas, inúmeros homens e mulheres públicos de grande valor e respeito e que, certamente, ainda buscam resgatar a verdadeira dignidade da política brasileira. Então, aos homens de bem, fica a pergunta: - Como se sentiriam se fossem nivelados ao patamar dos ladrões corruptos?
Reduzir a “maior idade penal” é colocar nas mãos dos jovens delinquentes uma sensação maior, muito maior, de poder e possessão. Eles se sentirão “homens de verdade”.
Como tribos, que jogam seus jovens à rituais de passagem para torná-los homens, nós, que nos consideramos civilizados, com a aprovação da redução da “maior idade penal” para 16 anos estaríamos oficializando o nosso ritual de passagem moderno, o que é muito triste, pois somos hoje privilegiados por tanta informação.

Para aqueles que defendem a tese de que os traficantes e criminosos em geral, deixariam de usar os menores, por saber que estarão sujeitos à detenção, permitam-me “rir” de suas caras, permitam-me “rir” de sua ingenuidade.

“JAMAIS O CRIME ORGANIZADO DEIXARÁ DE USAR JOVENS DE 16 ANOS PARA MATAR E ASSALTAR SÓ PORQUE O ESTADO REDUZIU A MAIORIDADE PENAL.”

Num país em que o sistema carcerário já está explodindo, não tendo vaga para mais ninguém, reduzir a maior idade penal é RIDÍCULO.

Para os pais, que estão dentro de suas belas casas e se sentem ameaçados pelos filhos das favelas, que os assaltam nas sinaleiras, e por isso defendem a tese da redução da maior idade penal para 16 anos, pergunto: - Esquecem-se que essas crianças são filhos de mães, que muitas vezes estão fazendo faxina para sustentá-los sem sequer saber que eles, seus filhos, estão sendo agenciados pelo crime organizado?

E como afinal vai ficar a situação daquele menor filhinho de papai, filhinho de família rica que tem como pagar bons advogados e atropela pobre enquanto faz “racha” nas madrugadas? Vai ser enquadrado? Enquadrado o quê?

MEDIOCRIDADE. Essa é a pior droga que nossa sociedade enfrenta!

Não há outro caminho a seguir senão o da educação.
Só a cultura pode nos salvar.
A poesia. A literatura. A arte em geral.
O pagamento de salários dignos aos professores.

Reduzir a Maior idade Penal para 16 anos é recrutar ainda mais elementos para o crime, pois esses jovens estarão sendo jogados dentro de um regime carcerário absolutamente FALIDO E PODRE do qual, certamente, sairão formados em crimes ainda maiores.

É hipocrisia a redução da maioridade penal neste país!



Já escrevi outros textos falando sobre o assunto e não me canso de dizer isso.

Só há um caminho, a educação. O fortalecimento dos profissionais de ensino. A verdadeira valorização destes, começando por seus salários. A reestruturação do sistema como um todo. E reforma absoluta no currículo. A inclusão e estímulo de profissionais do esporte em todas as áreas permitindo-lhes levar para as crianças as maravilhosas sensações produzidas pela adrenalina dos esportes para que elas não se sintam atraídas pela adrenalina dos crimes.

Fica aqui o apelo a todos os que lerem este texto no sentido de refletirem de verdade sobre o tema, pois ele é amplo demais para deixarmos nas mãos dos políticos somente, que talvez não estejam tendo o bom senso necessário para direcioná-lo.

Se eu fosse dar uma sugestão, esta seria na “criação de um fórum nacional de debates” que deveria ser organizado e realizado em todas as capitais do país no decorrer do ano, ouvindo na íntegra os principais segmentos de nossa sociedade e suas ideias a respeito.

“REDUZIR A MAIORIDADE PENAL PARA 16 ANOS É DAR AINDA MAIS LAVAGEM AOS NOSSOS PORCOS...”

O crack surgiu em nosso meio para nos dar uma lição e não estamos querendo aprender.



Gilberto Cardoso

quinta-feira, 20 de março de 2014

Imagem e semelhança

        

          Dualidade. Na verdade somente nossa mente é dual. A dualidade não é, necessariamente uma existência universal. Acima e abaixo só existem se você estiver tomando algo como ponto de referência. A dualidade, neste caso, nos é bem vinda para não enlouquecermos em nossa razão. Imagem e semelhança, segundo os escritos, princípio básico da criação, é em verdade, a dualidade da crença humana, no sentido de firmar-se a algo ou sucumbir como algo. A dualidade é absolutamente necessária tanto quanto descartável.
          Não gosto de ler os chamados “textos sagrados”, pois sinto neles uma total cautela e cuidado, que a meu ver, são desnecessários ao sagrado real. A vida pulsa independentemente de minhas pequenas vontades. Isso é o que realmente me fascina. Por isso, dizer que “Deus nos fez segundo sua imagem e semelhança” é algo extremamente dual, tornando-se tão sagrado quanto fútil. Creio na vida. Creio na existência como sendo uma força absoluta e inteligente que não firma-se segundo dogmas baratos conservados no vinagre dos nossos medos.
          É extremamente intrigante ouvir que Deus nos fez segundo sua imagem e semelhança, pois isso me leva a crer que sou apenas parecido com meu papai ET, que um dia desceu sobre a Terra e resolver criar-me para habitá-la. O espírito se fez presente nesta nova experiência. E só. Se eu fosse realmente a imagem e semelhança da Criação, deveria estar em sintonia com Ela. No entanto, é possível aceitar esta frase se olharmos pelo ângulo geral da vida, em que, tudo, absolutamente tudo, na verdade, constitui-se parte de um Todo Maior. Ou seja, eu sou uma bactéria viva dentro de Deus. Assim eu poderia dizer que todas as moléculas que me constituem são feitas minha imagem e semelhança, bem como eu, sou imagem e semelhança das estrelas do céu. Mas nem céu há. Pois o que verdadeiramente há é um espaço infinito sobre o qual pouco sabemos.

          A dualidade neste texto se faz presente de forma totalmente ineficaz. Não há como se falar da infinita capacidade de vida do Universo dentro de um cérebro limitado ocupando um crânio como sua morada. O pensamento está livre. O verdadeiro pensamento está livre. A vida está livre e muito além de qualquer forma de pensamento. Isso é vida. Isso é Deus. Isso é areligioso.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Crack, epidemia do medo

Crack, a Epidemia do medo.

Para quem quiser ler a matéria a que me refiro busque no Google jornal PIONEIRO de Caxias do Sul, dia 10/03/2014, a matéria “Crack, 20 anos de epidemia”.

Impossível, num único texto, elaborado por uma única mente humana, discutirmos a abrangência desta chamada “epidemia”. Lembro-me sempre do ensinamento Budista que diz “não há nada que seja somente negativo no Universo” e refiro-me também a esta situação. O que se torna mais complicado para nós, seres humanos, é lidarmos com nosso tosco Ego no sentido de encarar a verdade dos fatos de que, para o Universo, não existem injustiças, como nossa mente nos faz crer. A misericórdia Divina foi criada num momento de nossa história em que os Clérigos perceberam que estavam perdendo seu rebanho que os sustentava, para a treva e falaram então de um Deus misericordioso. No entanto, a energia vibracional universal não está ligada a esta frequência de raciocínio. Há, claro que sim, um manancial infinito de energia positiva disponível a todos. Não estou negando isso. Mas, as epidemias estão ai justamente para nos fazer acordar para a realidade de que somos nossos próprios Deuses.
Descendo da estação rodoviária, nesta manhã de segunda-feira, passei por um casal que me chamou a atenção. Vendiam algum tipo de livro ou revista, sei lá, não vem ao caso, que trazia como título “A verdadeira história sobre a criação”, ora, absurdo total. Nossa mente não tem a capacidade de sintonizar-se com esta verdade. Se um médium viesse a mim para dizer que “viu toda a história da criação” eu não acreditaria pelo simples fato de não crer ser a mente humana capaz de tal conexão. No entanto, se o mesmo médium me viesse com este recado, após ter desencarnado, seria mais fácil de crer, pois ele estaria vibrando numa frequência diferenciada. O que isso tem a ver com o Crack? Tudo, querido leitor, tudo! Aí é que está o problema. Ou seja, ainda vibramos numa frequência “separatista” que nos faz crer que o assunto “crack” é de teor político, ou religioso, ou policial, ou de teor educacional... Enfim, nossa sensibilidade se deixa abater por nossa moralidade. O Crack é assunto de todos nós sem exceção. Aí é que está o “lado positivo desta situação”. É o Universo nos mostrando que nossas atitudes negativas estão batendo a nossa porta. O lado bonito desta epidemia (permitam-me dizer e perdoem-me todos que têm parentes sofrendo com isso) é justamente, gritar a todos que “- Não há separação de nada no Universo”. Aí está a prova. De filhos ricos a filhos pobres, muito pobres, todos estão se entregando.
Cura? A cura disso está na cura da nossa moral. Precisamos levar este assunto, refiro-me ao assunto “drogas” para as escolas como matéria didática. Precisamos levar aos nossos alunos, o assunto, para ser estudado em toda a sua estrutura. Matéria mesmo, com prova e tudo. Precisamos levar nossas crianças para dentro desta realidade. Mostrar-lhes sem medo. Levá-los para ver, desde cedo, e só assim, fazê-los entender o real perigo que há. Mas este contexto de nada valerá se, é lógico, as outras estruturas sociais não estiverem engajadas.
Deve haver debates abertos a todos, pais, educadores, políticos, polícia, padres, pastores, psicólogos, viciados e ex-viciados, todos, expondo-se ao direito de opinar.
Vejo esta epidemia como uma questão “cultural”. Não no sentido cultural de música, artes plásticas, etc, mas no sentido da “cultura do medo” imposta a nós desde sempre e agora se mostrando, se materializando a nossa frente na forma de pessoas viciadas. Medo, medo e medo. Precisamos vencê-lo. Muitas vezes me pego pensando em que caminho seguir, como pessoa, para fazer algo a respeito. Acabo me deixando vencer pelos meus problemas pessoais e quando percebo, estou fazendo “porra nenhuma”. Isso é o Crack moral, o Crack da acomodação, o Crack da imbecilidade que ainda me assola e desafia. Esta epidemia, a meu ver, está aí para mostrar a todos nós que já estamos infectados há muito tempo pela pior de todas as epidemias, a Ignorância, que toma forma de Medo, e nos vence.
Espero sinceramente receber comentários e sugestões sobre tudo. Críticas, xingamentos, sei lá, tá valendo tudo. O fato mais importante é que, querendo ou não estamos todos fumando desta pedra, assim como fuma, quem não fuma, mas fica muito próximo do fumante aspirando a fumaça. Estamos todos fumando pedra. Somos todos “pedreiros”. O grande desafio é transpor isso sem que venhamos a sucumbir.
Novas políticas públicas se fazem urgente. Ações, atitudes. Confesso-me muito perdido sobre o que fazer a respeito, de real, de concreto. Por isso, tirei o chapéu para o jornalista Guilherme Pulita do jornal PIONEIRO de Caxias do Sul, em 10/03/2014 e espero sinceramente que Deus, nosso Deus interior, nos guie nesta batalha.

Este assunto não se encerra, por isso, na certeza de que teremos de falar sobre ele, não há ponto final nesta frase

sábado, 25 de janeiro de 2014

Milagres



       Nesta semana passei em frente a uma igreja, que ostentava em sua fachada um grande convite que me chamou a atenção. Um gigantesco banner, com fotos convidava os “fiéis” para um “dia de milagres”. Senti-me na idade média.
       Na verdade estamos vivendo uma tragédia, pois estando nossa sociedade tão farta de informação, ainda estarmos lendo este tipo de convite explícito, é trágico. Ora, você é um milagre! E só.
      Ainda estão tentando atrair a nossa atenção com as mesmas bases com as quais criavam igrejas a dois mil anos atrás.
      Nossa evolução é uma comédia. Estamos evoluindo, mas mesmo assim, é engraçado.
      Falta-nos é coragem. Coragem para viver a vida, levantando todos os dias pela manhã e olhando-se no espelho, ainda com olheiras, dizer: - Bom dia Deus!
      Eu sou um milagre. Você não? Não pense assim, você também é... Pronto, agora que sabemos que somos um milagre, basta decidirmos o que fazer com este milagre. Torná-lo uma rede, espalhá-lo, multiplicá-lo, ou virar bonequinho pastoral. Perdão, este último termo não foi legal. Bonequinho... hã... do teatro da vida? Ah, deixa pra lá, o nome que se dá não é tão importante quanto o que se faz com ele.
        Pare para pensar no seguinte, você precisa avisar seu corpo físico sobre a hora de defecar? Precisa avisá-lo que ele precisa se desfazer das toxinas? Você precisa avisar o seu corpo de que ele precisa dormir? Não, claro que não. Então quem faz isso tudo? O cérebro? Óbvio que não. Quem faz isso tudo acontecer naturalmente, é o milagre que somos.
         O verdadeiro milagre está aqui, agora, acontecendo em tempo real. Ele independe de sua crença, de sua vontade ou força. Ele, o milagre, vibra numa frequência absoluta de compaixão. Então, ficaria feliz se o banner convidasse, isso sim, para um dia de se “compartilhar compaixão”.
         Neste caso a igreja ficaria vazia, pois enquanto encarnados, raramente atingimos este patamar. O patamar da compaixão. Então tá, seja lá de que dia estivermos falando, o mais importante será estarmos dentro de nós mesmos, na hora em que explodirmos o mundo, ou, o furacão soprar nossos cabelos, ou ainda, o Pernalonga enganar o Patolino mais uma vez.
      



Sociedade



          Precisamos, como sociedade criativa que somos encontrar meios de manifestar um grau maior de sanidade em nosso sistema social. Tudo está correlacionado e nada foge a nada. Parece uma frase Taoista? Que seja, mas o fato é que andamos rumo a um colapso e nossa única saída é a elevação de nosso nível de consciência.
          De tempo em tempo, jornalistas abandonam a carreira para enveredarem pela política supondo que, assim, poderão fazer mais pela sociedade do que vinham fazendo como jornalistas e acabam por tornarem-se políticos-jornalísticos, que de todo não é uma má ideia, visto que possuem o domínio da boa fluência verbal e argumentação forte.
        Mas também, de tempo em tempo surgem novos e irradiantes talentos no futebol, não deixando nunca que a massa perca o sentido de suas vidas, tão pouco que os estádios fiquem vazios.
       No entanto, a população carcerária deste nosso país cresce assustadoramente. Já são hoje, segundo o que foi passado num telejornal da mídia, algo maior que quinhentos mil (500.000), que, sem muita coisa para fazer, cultivam o ódio em seus corações.
       Aparentemente este texto está falando de assuntos separados um do outro. Mas não. É pura ilusão de ótica. Ótica? Sim, a ótica pela qual olhamos o mundo.
        Quando uma pessoa atravessa a rua para jogar lixo ou entulhos num terreno baldio, está inconscientemente abandonando seu bom senso político, alimentando seu fanatismo por algo, aumentando a população carcerária de sua própria ignorância.
       Num dia destes estava lendo uma matéria intitulada “A revolução pedagógica” por Rosana Maria Rodrigues Santos, coordenadora da 2ª Coordenadoria Regional de Educação, no jornal Vale dos Sinos, de 09.01.14 e chamou-me muito a atenção o teor desta matéria.
      Nela, Rosana fala da urgência de reavaliarmos nosso currículo escolar e atualizá-lo de forma racional para que nossas crianças e jovens parem para pensar sobre o mundo real no qual estão inseridos.
      Não tenho nada contra aos clássicos da literatura, por exemplo, mas sinceramente, com tantos e tantos títulos e autores novos acho uma grande perda de tempo nossos jovens, em pleno 2014, estarem sendo “obrigados” a ler Dom Casmurro, como se este fosse o único livro do mundo. Isso é ensino pré-histórico. Devemos urgentemente lançar nas mãos de nossos jovens títulos instigantes que os faça pensar além das fronteiras submissas deste sistema falido, ou estaremos fadados a vê-los sucumbirem diante do crak, diante de seus games e depois, diante de seus ídolos que correm dentro de um campo, suados, atrás de uma bola de couro. Não sou contra o futebol! Apenas me manifesto muito usando este tema, porque me impressiona o gigantismo que este esporte alcançou na sociedade. Acho louvável os inúmeros jovens que saem de suas vidas pobres e crescem como jogadores movendo fortunas para que nossa própria máquina econômica se mantenha. Tudo faz parte. O que me intriga é que quando criança somos levados a crer que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, depois, temos que escolher um timão e pronto.

           Tudo está inserido em tudo. Isso é papo que chove no molhado. Sabemos disso, os antigos falavam disso, Cristo veio falar sobre isso. E daí? Bom, daí que ainda não conseguimos nos livrar do blá-blá-blá imposto. Isso não tem nada a ver com conversa política, partido político (coisa que realmente não tenho), tem a ver somente com o que tem a ver.

            Do que este texto está falando afinal? Ora, estou me deixando livre para me manifestar, isso é bom. É sadio. Conversa de bar mesmo. E nem bebi nada.

            Hoje estamos sendo levados a ver os gladiadores do futuro quebrarem suas pernas em público defendendo seus títulos de ostentação, sendo esse segmento, atualmente, o segmento esportivo que mais cresce no mundo. Casualidade? Não, planejamento mesmo. É disso que este texto está tentando falar, digo tentando porque até acho que não estou conseguindo alcançar meu objetivo com ele e é justamente por isso, que sempre espero manifestações a respeito.
            Estamos criando uma sociedade de idiotas que adoram ver porrada e sexo debaixo de edredons? Seria o MMA e o Big Brother Brasil, o sinal do fim dos tempos? Não, estou apenas brincando, na verdade acho que estes dois exemplos são somente o reflexo de uma sociedade que ainda acredita em bobagens fáceis, pois as bobagens fáceis nos fazem relaxar em relação a esta vida difícil que temos aqui neste plano.
        Não tenho nada contra as coisas fúteis, até porque muitas vezes elas servem sim, como um ponto de equilíbrio dentro de nossas rotinas de trabalho. É bom deleitar-se às vezes numas besteiras qualquer, piadas, conversas descontraídas e descomprometidas com o lado sério da vida. Até porque, a vida não é séria. Ela é na verdade, uma grande piada, uma aventura, uma experiência, um “stand up” que traçamos o tempo todo por debaixo de nossas caras sisudas de seres responsáveis.
       Bem, aí alguém vai dizer; - Se a vida não é séria então porque criticar programas bobos e pensar em reforma de ensino.
       O fato é que quando dizemos que a vida não é séria, não estamos com isso dizendo que ela é fútil, mas sim, que ela, a vida, é uma fonte de energia que flui independentemente de nossos paradigmas, conceitos, crenças e descrenças. E é justamente ai, nessas crenças e descrenças que precisamos mexer. É disto que tento falar. Na liberdade que devemos ter dentro de um total senso de responsabilidade com o mundo.
      Rir é muito bom. Sorrir, melhor ainda. Mas acredito que realmente ainda há em nosso meio uma sombra sinistra que nos faz crer que somos pecadores de nós mesmos.
      Tudo balela.

      Jesus não foi crucificado na cruz para salvar-nos de coisa nenhuma. Ele foi parte de um plano Universal que contava com a assistência de inúmeros seres sobre os quais nem imaginamos a existência, até realmente creio que Ele tenha envelhecido com mulher e filhos, tenha experimentado as coisas da carne, como fator de sua própria jornada. Mas, torná-lo um Salvador parecia o plano perfeito para manter-nos no sono.
        No entanto, pare para pensar no quanto o Universo poderia estar engajado em dar-nos uma lição enviando a nós um Ser de grande magnitude para apaixonar-se, casar e viver feliz fazendo filhos, mostrando-nos na prática que estamos dentro de um plano material e caótico, mas que, ainda assim, nesta experiência toda está o milagre.

    O milagre está na simplicidade.

   Um dia acordaremos. Espero que neste dia não seja tarde para sermos felizes neste plano da matéria, que é sim, maravilhoso e belo.

O texto se perdeu em sua abordagem original, no entanto, se você o leu até aqui, ele alcançou sua pretensão em fazê-lo refletir.
           

        namastê









Debate



            Os debates são sempre saudáveis, quando representam a legítima liberdade de expressão, embasada no respeito. Temos visto um debate bastante interessante acontecendo na mídia como um todo.
            Em relação, por exemplo, aos vários fatos que ocorreram nesta metade do ano, e que, em linhas gerais foram denominados de “manifestação popular”, vejo-me intrigado, quanto ao debate sobre o assunto, quando este em si, se dá de forma fragmentada. Tão fragmentada que esquecemos a regra mais básica de todas as regras, somos todos a mesma coisa, gente.
            É muito impressionante o momento que vemos acontecer debaixo de nossos olhos, mas, se procurarmos nos posicionar como gente, apenas, tudo poderá tomar um novo rumo.
           Não vejo sequer a necessidade de compararmos estes acontecimentos com os ocorridos na década de sessenta, em plena ditadura militar.
           Precisamos nos concentrar no momento atual, e aí, concordo com quem diz não haver comparação possível por conta das inúmeras mudanças que a sociedade sofreu ao longo dos anos.
          Precisamos nos afastar dos conceitos enraizados em nosso inconsciente e nos lançarmos rumo ao novo mundo, ou seja, sair da ótica em que geralmente nos firmamos e procurar ver tudo e todos, pelos olhos do espírito.
         Isso não tem nada a ver com religião. É vida, simplesmente. Antes de pensarmos a respeito de um determinado assunto nos dizendo, eu sou policial, eu sou jornalista, eu sou prefeito, eu sou analista político, etc, precisamos exercitar nosso verdadeiro direito de simplesmente “ser”. Ser o que? Gente.
          Precisamos incentivar nossas crianças e jovens a praticarem desde cedo o debate saudável, dentro das escolas. Antes mesmo de se auto-intitularem isso ou aquilo, deixar que pensem e se expressem como, gente.










Eu tinha medo de rir, vergonha de sorrir.

A afirmação pode parecer absurda, mas é verdadeira. Assim, com medo de rir e vergonha de sorrir, foi que cresci. Até ria, sorria, mas com receio à crítica. Isso gera um sentimento profundo de preocupação em relação a estar aqui, neste plano.
          Mas tudo bem, sobrevivemos a isso. Digo sobrevivemos porque sei que não sou o único, e sim, um, dentre toda uma geração. Sabe aquela máxima de “moça não poder andar de bicicleta porque perdia a virgindade”? Não se tratava de uma lenda, era fato. Perder a virgindade num banquinho? Não, não, era fato, que acontecia de fato a proibição.
         Imagino que nos planos superiores, todos riem, sorriem o tempo todo. Sorrir é deixar a porta do espírito aberta para a vida.
         Numa ocasião em que estive com meu filho mais velho hospitalizado por uma semana, isso quando ele tinha cinco anos, já não sabendo mais o que fazer para alegrá-lo, passei numa banca e levei para o hospital um gibi do Chico Bento. Sentei ao lado dele na cama e comecei a ler. Porém, havia um diferencial na minha interpretação, pois eu lia falando do jeito que, supostamente, o personagem do Chico falaria se estivesse ali, lendo os balõezinhos a risca.
          Com isso consegui, depois de dias seguidos, instalar um belo sorriso na face de meu filho, o que me encheu o coração de alegria também.
         Então, porque sempre foi tão amargo rir? Eu tinha medo de rir e vergonha de sorrir. Medo de rir porque rir era algo relacionado a estar fazendo alguém de palhaço e isto era encrenca na certa. Sorrir, porque sorrir era um ato de espontaneidade para o qual eu não havia sido libertado. É mais ou menos como ficar olhando para o tronco das chibatadas com um sorrisinho amarelo na cara achando-se diante dum poly dance, (que frase infeliz) mas, se você deu uma risadinha, já valeu.
        







Contra

Ainda me causa surpresa o emprego que fazemos da palavra “contra”, institucionalizando uma verdadeira campanha. A “campanha dos contras”. Eu sei que é só uma palavra, uma força de expressão. Mas devemos lembrar que o que usamos em nossa linguagem é muito forte. Então, porque ser contra o câncer? O câncer não é algo com o qual tenhamos que nos defrontar. Não é um indivíduo e mesmo em relação aos indivíduos esse termo é contraditório. Ao contrário, devemos buscar uma retomada de consciência, em relação a todas as coisas, para as quais dizemos ser contra. Ora, aqui usei o câncer apenas como ilustração, mas as campanhas do contra estão espalhadas por todo canto. Contra as drogas, contra o arrojo salarial, contra o preconceito, contra a impunidade, contra, contra e contra.

          Todas essas coisas para as quais dizemos ser “contra” são apenas reflexos, resultados, colheitas que fazemos de outras coisas que plantamos, lá atrás. Então, penso que seria mais coerente usarmos o termo “a favor”, que por si só invoca mais cura do que contra.

          Se você se vê diante de uma situação negativa, de nada lhe valerá erguer bandeiras “contra” essa situação, pois se ela se materializou em sua vida é porque foi semeada de alguma forma, seja de um jeito pessoal e íntimo, seja na coletividade. Então, seremos “a favor”, de uma conscientização das mentes, dos comportamentos, uma cura, enfim, de âmbito global.

          Seja “a favor” da cura do câncer, “a favor” de uma melhor distribuição de renda, “a favor” da igualdade dos direitos humanos, “a favor” de uma visão política unificada, enfim, ao invés de manifestar-se “contra” a doença, manifeste-se “a favor” de sua prevenção.
        Não sou contra nada porque isso gera energia “contrária”, mas, sou a favor de acharmos a forma mais benéfica possível para buscarmos resultados.












O não do sim e o sim do não

O não do sim e o sim do não



            Dentro do não, há um sim e dentro do sim há um não. Isso é natural. Nada precisa ser exato. O Universo não se preocupa com a exatidão das coisas e festeja a imortalidade da relatividade. A relatividade é o não do sim dentro do sim do não. É uma piada harmônica e bela, que não pratica booling, mas diverte-se com a cara de todos nós.








quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Casamentos

Eu, Martha Medeiros e o Lobo Mal.

Li no Face um texto atribuído à Martha Medeiros sobre casamentos e manifestei-me dizendo que concordava com ela. Pois bem, o Face, assim como o Universo é um espaço vazio onde palavras são palavras, o céu é o céu e o inferno é o inferno.
O fato na verdade a que me referia é justamente a educação que temos desde nossa infância. Não sou contra o casamento, até porque ser contra qualquer coisa nos faz experimentá-la ainda mais, até que aprendamos a lição.
O que me espanta na vida é sermos sempre direcionados ao casamento com os outros, quando na verdade, penso que o primeiro casamento que deveria existir é o casamento do indivíduo com ele mesmo.
É neste ponto que me refiro concordar com o raciocínio da Martha, pois foi assim que o interpretei.
É bom casar. É bom ser casado e poder chegar em casa e encontrar alguém com quem compartilhar todas as coisas. Eu não afirmo que sou contrário a isso, mas sou sim, contrário a ideias pré-estabelecidas de felicidade. Assim como desde cedo somos vulgarmente levados a decidir por um time, também nos fazem crer que devemos o quanto antes decidir sobre casar ou viver solteiro. Tudo balela.
Não creio em laranjas sem metade correndo por aí atrás de sua outra face, até porque isso nos faz apodrecer mais rápido, visto que estamos sem a roupagem necessária de um dos lados.
A ideia de almas gêmeas me assusta pois nos transforma em almas fantasmas correndo de um lado para o outro em busca de algo que está e sempre estará dentro de nós mesmos.
Por toda a experiência de vida que tenho e por anos trabalhando com pessoas, penso sim, como Martha, que somos seres absolutamente inteiros e que, é óbvio, uma vez estando nesta condição mundana, quando acompanhados por um amor verdadeiro, nos tornamos ainda maiores.
Mas, vejamos bem, mas, se não casamos com nós mesmos e nos jogamos diretamente em relacionamentos afetivos sentimos de cara o peso de uma responsabilidade que automaticamente passamos ao outro, quando na verdade deveríamos estar assumindo sobre nós mesmos.
Ser feliz é que é a questão. Ser feliz com o que se É certamente tornará mais fácil encontrar a felicidade no outro também. O casamento é algo maravilhoso, mas o casamento como nos empurram goela abaixo é um pé no saco.
Se perguntássemos a Mário Quintana por que ele passou tanto tempo sem uma mulher ele faria risos e poemas com isso. Nem ouso imaginar a resposta, mas creio que ele havia encontrado na poesia sua primeira façanha, que certamente explicava por si só a sua passagem por esta encarnação.
Viver só é triste. Somos feitos para vivermos com alguém. Mas é realmente lamentável que sejamos programados a viver “com alguém” antes mesmo de podermos avaliar quem realmente somos.

E o Lobo mal? Ah, o Lobo mal que se foda, quem mandou comer a vovozinha.  

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Feliz aniversário ao meu bundão predileto

Um dia especial
 (Uma homenagem ao 05 de novembro, torres não explodiram, mas explodiu-se um coração)

     Hoje é um dia especial, justamente pelo fato de ser um dia como qualquer outro, e não ter nada, absolutamente nada que o torne especial. Mas é um dia especial, porque tem de ser assim. Assim dizem os Lamas, os filósofos, profetas e curandeiros. Hoje é um dia especial. E só. Mas não há nada que o faça especial, a não ser a vida, que é especial e sempre será. Mas, então, hoje é um dia de que tipo afinal?

    Escrever é a única coisa que faço na vida que me gera prazer real. Os outros prazeres são carnais. São materiais. Mesmo que emocionais, ainda assim são materiais, pois são gerados na materialidade das emoções e não na sua essência.  Portanto, escrever é o único prazer em si, pois que escrevendo, estou livre e sem o dever de bater continência a quem quer que seja.

    Nem no ato sexual carnal, por mais amor e intensidade que tenha, obtenho tanto prazer como quando percorro a página em branco, digitando palavras, uma após a outra, numa atitude que beira a magia, a poética e fascinante magia das verdades puras, não conceituais, mas puras. Puras no sentido de como são concebidas dentro da pessoa e não dentro do contexto social no qual esta pessoa está inserida.

    Sonho com um mundo onde se tenha realmente liberdade. Mas isso não é uma coisa possível aqui, agora. É algo de outro plano, outro mundo. Ainda vibramos na frequência absoluta do “tenho que” e esse termo, diz respeito a uma obrigação e não a um real sentido de vida. Trata-se de uma obrigação. Quando muito, uma necessidade fisiológica disfarçada de espiritualidade.

    Onde está o sagrado? Mestres iluminados tem se empenhado por séculos em fazer-nos ver que o sagrado está em cada um, e cada vez mais erguemos templos e mais templos para reinterpretar essa máxima. Para mim, todo o processo é válido, mas mais cansativo do que realmente precisaria ser. Neste exato momento, enquanto lês estas linhas, o teu sagrado convida o meu sagrado para dançar. E só.

    Não há busca a ser feita. Não há regime que possa ser mais útil e vital do que a passagem pela infância. Somos todos a mesma coisa. Nos vemos por ângulos diferentes, caso contrário a passagem pela matéria ficaria muito sem graça. Este é um mundo de contradições. Piadas, ditas em discursos proféticos. Variações das neuroses mundanas, rotuladas de pós-graduação. Sou um engenheiro de coisa nenhuma.

    O Universo desprende-se em várias experiências o tempo todo. Jesus foi uma grande experiência, Buda, o Gautama, também. Ainstein, Freud, Alan Kardec, Hitler, Jacob, João e Maria. Chico Xavier, Gandhi, Casimiro de Abreu e Quintana. O cara que transou com sua mulher e a mulher que deu para o seu homem. Lula, tanto quanto Dilma. Osama, tanto quanto Barack. Raul, o raulzito, cantando a todos em seu Ouro de tolo, também.

    É muito engraçado quando, passados tantos anos, séculos até, isso em relação ao princípio do cristianismo, ainda nos dirigimos à divindade da vida pelo termo Pai. Como se o Universo fosse realmente pai de alguém. Cadê a mãe? Penso que quando o amado Cristo manifestou-se na forma de Jesus, disse-nos que havia um pai pelo simples fato de saber que estava materializando numa sociedade extremamente machista, patriarcal, portanto, se Ele usasse outra palavra que não fosse essa, teria menos êxito ainda. Se falando de Pai, foi crucificado, imagino o que teriam feito com Ele se usasse a palavra Mãe. Ora, porque até hoje não conseguimos nos desprender deste conceito? Simples. Somos acomodados.

   Não sou um cara ateu, mas me considero um bicho à toa, que faz coisas porque precisa fazer, mas não que queira. Sou extremamente imbecil e se dependesse de mim o mundo já teria sucumbido. Não entendo de cálculos, não sou forte em física, química ou qualquer outra coisa taxada de ciência exata. Não entendo a exatidão das coisas e aprecio a poética das possibilidades múltiplas. Mas, estaria morto se não fossem as grandes e brilhantes mentes que sustentam o mundo científico.

   Todas as religiões criadas pelo homem para satisfazer o homem estão em colapso. Não admitem e nunca o farão, mas estão. Na verdade já foram criadas dentro de um colapso total de ideias.

   Dançar, pular, cantar, agitar a alegria que corre nas veias é a melhor de todas as crenças. Somos infelizes porque vemos na seriedade uma falsa razão de viver. A seriedade transmite segurança, então nos agarramos a ela com todas as forças.  Repensem seus valores todos os homens ditos sérios deste mundo, todos os carrancudos e sisudos, que fazem transparecer firmeza por baixo de seus paletós. Vivam os palhaços. Viva o homem do gato, aos domingos, fazendo-nos de bobos de nós mesmos na mais pura demonstração de religiosidade matriarcal. Espiritual. Simples e verdadeira.

   Esta foi uma singela homenagem que fiz ao dia de meu quadragésimo oitavo aniversário. Um texto sem objetivo algum. Uma simples escorregada sobre o teclado deste computador. E só.

   Vou comer um bolo?